Rejeição obriga Victor Coelho a recuar e disputar vaga de deputado estadual em 2026
A realidade política de Victor Coelho (PSB), ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, parece cada vez mais distante da força que já teve. Altos índices de rejeição no município que governou por dois mandatos (2017 a 2024) forçaram o agora secretário de Estado de Turismo a recuar de seus planos iniciais de disputar uma vaga na Câmara Federal em 2026. A mudança, segundo ele, foi pragmática: percebeu que teria mais chances de êxito se “descesse” para a disputa da Assembleia Legislativa, o que confirma, na prática, a fragilidade eleitoral do ex-prefeito em seu próprio reduto.
A decisão de abandonar o projeto federal foi tomada em conjunto com o governador Renato Casagrande, de quem Victor é aliado e correligionário no PSB. Em fevereiro deste ano, Victor foi alçado à Secretaria de Estado de Turismo (Setur), justamente com o objetivo de se projetar politicamente para 2026. A pasta, tradicionalmente usada como vitrine, seria trampolim para sua candidatura a deputado federal. Mas os números e o cenário político o obrigaram a mudar de rota.
A resistência popular ao seu nome ficou evidente nas urnas. Em 2024, Victor apoiou a ex-secretária de sua gestão, Lorena Vasques (PSB), como candidata a prefeita de Cachoeiro. O resultado foi um vexame eleitoral: Lorena terminou em quarto lugar, com apenas 11,27% dos votos válidos, ficando muito distante do segundo turno e atrás até mesmo de candidatos sem estrutura partidária robusta. A derrota foi lida por muitos como um recado claro da população, cansada da gestão de Victor, marcada por críticas à falta de diálogo, desgaste da máquina pública e promessas não cumpridas.
Mesmo fora da prefeitura, Victor parece não ter se desapegado do cargo. Frequentemente tenta atribuir a si obras e ações da atual administração, liderada pelo prefeito Theodorico Ferraço (PP), como se ainda estivesse à frente da gestão municipal. A estratégia, no entanto, tem gerado desconforto nos bastidores políticos e irritação entre lideranças locais, que veem a postura como oportunista e descolada da realidade.
Agora, com a saída de Victor da chapa federal do PSB, quem assume a vaga é justamente Lorena Vasques, que passou a integrar sua equipe na Setur como subsecretária de Estudos, Negócios, Planejamento e Infraestrutura Turística. A movimentação também tem caráter estratégico: cumprir a cota de 30% de candidaturas femininas exigida pela Justiça Eleitoral. Lorena, no entanto, carrega consigo o peso da rejeição herdada da última eleição municipal.
Em declaração recente, Victor tentou justificar sua mudança de rumo:
“Ao longo do meu período na Setur, tenho medido meu tamanho eleitoral. Eu vejo que tenho mais condições de ser candidato a estadual que a federal. É importante que eu tenha mandato. Não vou dar um passo maior que a perna.”
Nas entrelinhas, a fala reforça o temor de uma nova derrota nas urnas, desta vez ainda mais danosa, por comprometer sua permanência no cenário político estadual.
Ele ainda argumenta que, com base em seu desempenho nas eleições para prefeito, pode conquistar cerca de 25 mil votos apenas em Cachoeiro e, com isso, viabilizar sua eleição como deputado estadual. No entanto, ignora que boa parte de seus antigos eleitores hoje se mostram críticos à sua gestão e demonstraram isso nas urnas ao rejeitarem seu projeto de continuidade com Lorena.
Se antes vislumbrava o protagonismo de Brasília, Victor agora aposta em uma disputa menos arriscada, porém mais apertada, em um cenário onde o PSB deve disputar poucas vagas reais, e onde ele terá que enfrentar a desconfiança do eleitorado que não esqueceu sua gestão marcada pelo desgaste e pela percepção de distanciamento das prioridades da população.
O futuro político de Victor Coelho, antes tido como certo, agora depende de muito mais do que sua própria vontade: dependerá da memória do eleitor cachoeirense — e ela, pelo visto, está bastante viva.



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