Lorenzo Pazolini não é unanimidade nem entre aliados do Republicanos
Apesar de ser o principal nome do Republicanos para a disputa do governo do Espírito Santo em 2026, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, está longe de ser uma figura consensual no próprio partido. Nos bastidores e nos plenários, surgem divisões e articulações alternativas que expõem as rachaduras dentro da legenda – contrariando a narrativa de unidade que se tenta vender ao eleitorado.
O caso mais emblemático é o do deputado estadual Alcântaro Filho, também do Republicanos, que surpreendeu recentemente ao defender publicamente uma aliança entre Pazolini e Arnaldinho Borgo (prefeito de Vila Velha e, atualmente, sem partido), com vista à eleição para o Palácio Anchieta. O próprio Alcântaro revela não saber quem deveria ser o cabeça de chapa, mas deixa claro que enxerga espaço e desejo para uma união que mirasse a “renovação política” no estado. Essa defesa de aproximação não é isolada: há outros parlamentares do partido que cogitam alternativas ao nome de Pazolini.
O Republicanos, hoje a maior bancada da Assembleia Legislativa, está longe da coesão. Entre seus membros há aliados fieis de Pazolini, como Pablo Muribeca, que utiliza o partido como base de lançamento para seu próprio grupo político, mas também opositores internos, como Hudson Leal, que deixa claro sua resistência: já afirmou reservadamente que, onde Pazolini estiver, estará do outro lado.
Com a chegada de novos filiados e um ambiente de alianças em constante movimento, o Republicanos na verdade se apresenta mais como uma colcha de retalhos: há nomes declaradamente próximos do governo Casagrande, como Bispo Alves; há os “lobos solitários”, como Sérgio Meneguelli, que desde cedo se mostrou avesso à disciplina partidária; e há a ala que faz oposição aberta ao vice-governador Ricardo Ferraço, caso de Alcântaro, demonstrando como as lealdades são difusas e os interesses, diversos.
O cenário deixa claro que, dentro do Republicanos, Pazolini ainda não conseguiu construir unidade em torno de sua candidatura. O partido caminha dividido, e a definição do nome ou da estratégia para 2026 está longe de ser uma decisão unânime, seja internamente, seja diante do eleitorado capixaba. A busca por renovação, novas alianças e projetos paralelos mostram que, antes de ser “o candidato do Republicanos”, Pazolini ainda terá que conquistar, de fato, o apoio pleno de sua própria base.



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