Arnaldinho Borgo, o Partido Novo e o “Circo Midiático” da Suposta Estrutura para o Governo do ES

Compartilhe esse conteúdo:

A cena política do Espírito Santo parece cada vez mais marcada por movimentos de autopromoção travestidos de articulação partidária. O pré-candidato ao governo do estado e atual prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, protagonizou recentemente um desses episódios durante seu encontro em São Paulo com a alta cúpula do partido Novo, como detalhado na coluna de Vitor Vogas no portal ES360.

O evento foi tratado como “tape­te laranja” — em referência à cor do partido — para Arnaldinho, que busca desesperadamente confirmar sua viabilidade enquanto candidato majoritário, após desfiliar-se do Podemos. A narrativa vendida à imprensa e replicada por entusiastas do Novo é a de que o prefeito teria encontrado uma estrada “bem pavimentada” rumo ao Palácio Anchieta, com garantias políticas e financeiras dadas pelo presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro.

No entanto, uma apuração honesta mostra que tais garantias não passam de mise-en-scène midiática. O Novo é um partido com pequena bancada federal, recursos limitados pelo Fundo Eleitoral e irrelevância eleitoral no Espírito Santo — onde nunca elegeu deputado. O próprio texto da coluna sugere que tal “apoio” é, no mínimo, protocolar: não houve apresentação de números, planos de estrutura efetiva, tampouco articulação robusta. O que se vende é uma expectativa criada a partir de uma reunião protocolar, turbinada por frases de efeito e otimismo forçado.

Arnaldinho, por sua vez, utiliza esse cenário para tentar se reposicionar publicamente como nome viável, produzindo uma ilusão de força partidária e de estrutura que inexiste na prática. É uma espécie de “ensaio geral” da candidatura: o prefeito busca gerar manchetes positivas, fotos ao lado de dirigentes e, principalmente, a sensação de estar nos “bastidores do poder” — mesmo quando isso é, no máximo, um exercício de relações públicas.

Nem mesmo as alternativas avaliadas por Arnaldinho — PRD, Republicanos, PSD — garantem uma estrutura de fato independente das disputas e rivalidades regionais, mas ao menos esses partidos possuem musculatura e recursos que o Novo jamais conseguiu construir no estado. A escolha do Novo, portanto, soa muito mais conveniente pelo baixo custo de desgaste político e pela facilidade de narrativa, pois é vista como uma ponte provisória enquanto se negocia acordos mais robustos.

Enquanto isso, a população do Espírito Santo e os eleitores atentos assistem a mais uma temporada da velha novela política: líderes embalados pelo marketing, partidos frágeis convertidos em palanques midiáticos, e a ausência de debates concretos sobre recursos, alianças e plano de governo. O movimento de Arnaldinho Borgo junto ao Novo é, por ora, mais um espetáculo para gerar manchetes e alimentar redes sociais do que um projeto real para disputar em alto nível o comando do estado.

Resumo:
Em vez de representar uma estratégia com base política e estrutura sólidas, o evento parece encenar um “circo midiático” — em que o verdadeiro objetivo de Arnaldinho é construir uma narrativa favorável para si mesmo, explorando o Novo como trampolim. Em 2026, a pergunta que ficará é: quem, de fato, tem conteúdo para governar e quem só sabe montar espetáculo?

Compartilhe esse conteúdo:

Publicar comentário